A Prefeitura de Varginha, por meio da Fundação Cultural, realizou na noite da última quinta-feira (21/05), no Museu Municipal, a cerimônia “Terreiros de Varginha: Ancestralidade e Território”, marcando oficialmente o reconhecimento dos terreiros de religiões de matriz africana e afro-brasileira como patrimônio cultural imaterial do município e o lançamento do dossiê “Terreiros de Varginha: Lugares de Fé, Identidade e Ancestralidade”.
O evento integrou a programação da 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e foi dedicado aos terreiros como espaços de ancestralidade, memória, resistência e produção cultural. A cerimônia reuniu lideranças religiosas, representantes culturais, pesquisadores, integrantes da comunidade dos povos de terreiro e autoridades municipais em um momento marcado pela celebração da diversidade cultural e pelo reconhecimento da importância histórica e social dessas tradições em Varginha.
Durante a cerimônia, foram entregues os Certificados de Patrimônio Cultural às casas inscritas nas categorias “Lugares” e “Formas de Expressão”, reconhecendo oficialmente os terreiros como espaços de fé, acolhimento, preservação de saberes ancestrais e referência cultural para o município. O evento contou também com a participação de Adriano Maximiano, ativista da causa dos terreiros e ex-diretor de Proteção e Memória do IEPHA-MG.
A programação contou ainda com apresentações culturais, manifestações tradicionais das religiões de matriz africana e uma roda de conversa com lideranças religiosas, fortalecendo o diálogo sobre identidade, pertencimento e preservação da memória afro-brasileira.
O dossiê lançado durante a cerimônia foi elaborado pela equipe da AME Cultura — formada pelas pesquisadoras Cristiane Maria Magalhães, Jaíne Diniz e Aléxias Mendonça de Almeida, com cartografia de Lorrana Negretti — e contou com contribuições da arquiteta Danielle Guimarães, da Fundação Cultural de Varginha.
O reconhecimento dos terreiros como patrimônio cultural imaterial foi oficializado por meio de registro nos Livros das Formas de Expressão e dos Lugares do município. O dossiê está disponível gratuitamente no site da Fundação Cultural de Varginha.
Casas reconhecidas durante a cerimônia:
1. Associação Centro Espírita Casa da Luz e Casa Caboclo Guaraci
2. Casa Aldeia Caboclo Guarajara Juremeiro
3. Casa da Mãe Sioneida de Xangô
4. Casa de Umbanda Ogum Sete Espadas
5. Casa de Umbanda Vô Bento de Aruanda
6. Centro Espírita Caboclo Pena Branca
7. Centro Espírita de Umbanda Caboclo Gira Mundo
8. Centro Espírita São Francisco de Assis (Colina de Kitembu)
9. Ilê Asé Ewê Omí Agué (Casa de Ossayn)
10. Ilé Asé Odé Dòlá
11. Ilê Ashe Locy Ofa Odonirã (Abassá de Logun Edé)
12. Ilê Axé Oni Omi
13. Ilê Axé Oya Izo Ina
14. Ilê Egbé Omo Odé Odara
15. Templo de Umbanda Águas de Oxalá
16. Templo de Umbanda Estrela Guia
17. Templo Espírita Caboclo Urubatã
18. Templo Pai Joaquim do Cruzeiro das Almas
19. Templo Umbandista Trabalhadores de Ogum, Iansã e Pai José das Almas (TUTOIP)
20. Tenda de Caridade Cabocla Jandira e Cabocla Arranca Toco
21. Tenda Espírita Caboclo Mata Virgem Pai Joaquim de Aruanda
22. Tenda Espírita Caboclo Sete Flechas
23. Tenda Espírita de Umbanda Caboclo Sete Flechas
24. Tenda Espírita Luz de Ogum
25. Tenda Rainha Cigana
26. Terreiro de Umbanda Caboclo Tupinambá
As imagens da cerimônia evidenciaram a expressiva participação popular e a diversidade das manifestações culturais presentes, reforçando o caráter histórico do reconhecimento e sua importância para a valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro em Varginha.